Psicologia da Família

 

Psicologia da Família é uma especialidade da psicologia que está focalizada nas emoções, pensamentos e comportamentos das pessoas em contexto familiar.

 

A Psicologia da Família é uma especialidade fundada nos princípios da teoria sistémica, encarando a família como um sistema dinâmico, vivo e em constante desenvolvimento.

 

Já são muitos os contributos científicos para o entendimento da psicologia da família. Assim como são bastante alargadas as formas de intervenção neste grupo especial de pessoas. A psicologia da família é um mundo emocionante e complexo que muitas vezes escapa à racionalidade directa do comum mortal. É de facto necessário ter um entendimento intelectual e uma experiencia pessoal com a psicologia da família e para isso muito enriquece a vida e o conhecimento do terapeuta. Não existe uma forma correcta ou errada de entender a psicologia da família, existe sim a facilidade ou dificuldade em desbloquear enredos familiares.

 

Por princípio a psicologia da família fundamenta-se na premissa que a dinâmica da família desempenha um papel vital no funcionamento psicológico dos membros que a constituem.

 

As consultas em psicologia da família levam em consideração a história da família nuclear e da família alargada, o ambiente actual, a forma de comunicação e o projecto comum.

 

Os terapeutas são psicólogos especializados em psicologia da família que mantêm o seu foco, entendimento e empatia na dinâmica familiar e traduzem as necessidades e dificuldades relacionais em questões práticas passiveis de serem resolvidas.

 

A psicologia da família está especialmente indicada para as situações de:

  • Problemas de comunicação
  • Problemas relacionados com os filhos
  • Sexualidade
  • Problemas relacionados com as prioridades familiares versus outras prioridades de algum membro da família
  • Problemas de gestão de relações entre as diferentes famílias, do origem e actual
  • Dificuldade na gestão dos conflitos depois da separação ou divórcio

A Terapia Familiar constitui uma abordagem que realiza sessões conjuntas com vários elementos da família. É uma abordagem ativa e orientada para a obtenção de resultados num prazo curto.

É indicada para as situações em que se deseja uma mudança de funcionamento da família. Alguns exemplos são as situações de: 1) Dificuldades numa relação (dificuldades conjugais, incluindo as sexuais, dificuldades entre pais e filhos ou entre irmãos); 2) Dificuldades de separação / aproximação; 3) Problemas de uma criança ou um adolescente; 4) Crise familiar; 5) Mais do que um elemento da família a necessitar de acompanhamento; 6) Melhoria de um elemento da família que coincide com o desenvolvimento de sintomas em outro ou com a deterioração da relação entre eles.

Contudo, é raro que as famílias procurem ajuda em conjunto e queixando-se da forma como funcionam. Mais frequente é que alguém procure ajuda (ou seja trazido até essa ajuda) por causa de determinado sintoma, e que se torne claro que o sintoma dessa pessoa se relaciona com o funcionamento da sua família e/ou «exprime» o sofrimento dessa família. Nestes casos, é o terapeuta quem propõe o envolvimento de outros elementos da família.

Origens:

Por contraste com as Terapias Individuais, que incidem sobre o que se passa dentro do indivíduo, as Terapias Familiares incidem sobre o que se passa entre os indivíduos. A designação Terapia Familiar é utilizada para nomear um conjunto de abordagens que utilizam sessões conjuntas com os elementos de uma família, com o objetivo de modificar o funcionamento dessa família. A Terapia Familiar desenvolveu-se após a década de 50, partir de um conjunto de abordagens, como a Escola Transgeracional de M. Bowen, C. Whitaker e I. Boszormenyi-Nagy, a Escola Estrutural de S. Minuchin e as Escolas Estratégicas de Milão e de Palo Alto.

Conceitos:

Todas as abordagens da Terapia Familiar coincidem na visão de um determinado sintoma (por exemplo, a depressão de uma mãe, o alcoolismo de um pai, o comportamento rebelde de um filho… ) como produto não de uma patologia individual (da mãe, do pai, do filho…) mas de uma disfunção da família (da forma como eles interagem). As várias abordagens diferem, contudo nos conceitos que utilizam para descrever o funcionamento da família. Nomeadamente:

Escola Transgeracional: Vê o sintoma como tendo origem em factos da história da família, e da cultura familiar, transmitidos de geração em geração (os segredos, os mitos, as lealdades…). Por exemplo, um terapeuta transgeracional poderá colocar a hipótese de que a infidelidade de um marido se relacione com aspetos da sua cultura familiar relativamente à relação conjugal («o meu pai, o meu avô e o meu bisavô também tiveram várias mulheres»)
Escola Estrutural: Vê o sintoma como produto da estrutura da família, ou seja, da forma como os seus elementos se posicionam uns face aos outros (os subsistemas conjugal, parental, filial e fraternal, as fronteiras e limites difusos ou impermeáveis, as alianças e coligações, os conflitos…). Por exemplo, um terapeuta estrutural poderá colocar a hipótese de que o comportamento rebelde de um filho se relacione com um problema de autoridade na família, expresso na coligação do filho com a mãe face ao pai.
Escola Estratégica: Vê o sintoma como mantido por padrões de interação específicos e repetitivos entre os elementos da família (o «jogo familiar»). Por exemplo, um terapeuta estratégico, poderá colocar a hipótese de que as dificuldades da filha com a alimentação se relacionem com o facto de a sua recusa em comer gerar discussões entre os pais durante as refeições

Técnicas:

A terapia familiar realiza-se em sessões conjuntas com vários elementos da família. A intervenção é de curto prazo e orientada para resultados. Comparativamente com as terapias individuais, as sessões são mais espaçadas entre si. Frequentemente envolve tarefas a realizar pela família entre sessões. Todas as abordagens da terapia familiar partem da formulação de uma hipótese sobre a forma como o sintoma se articula no funcionamento da família, e centram a sua intervenção na mudança desse funcionamento.

Escola Transgeracional: Promove a identificação e análise dos padrões repetitivos e disfuncionais do passado, de forma a integrá-los no presente, produzindo mudanças no futuro. Recorre ao genograma, uma representação gráfica da família ao longo de pelo menos três gerações, incluindo a estrutura da família, as informações mais importantes sobre esta e as relações entre os seus elementos. A partir deste trabalho, é possível intervir de outras formas. Por exemplo, considerando a «herança» (simbólica) recebida dos seus antepassados, o marido poderia decidir se a quer para a sua vida e, concluindo que não, optar por a «devolver» (simbolicamente)
Escola Estrutural: Promove a alteração das posições relativas de cada elemento na estrutura familiar e, dessa forma, a mudança das suas experiências na família. Recorre ao mapa familiar, que representa as posições relativas dos elementos na família, revelando alianças, coligações e conflitos explícitos e implícitos. A família faz a demonstração na sessão de episódios relevantes, e o terapeuta propõe alterações na estrutura da família. Por exemplo, o terapeuta poderia propor que as decisões relativas ao filho fossem tomadas e comunicadas por ambos os pais em conjunto.
Escola Estratégica: Promove a mudança dos padrões de interação específicos e repetitivos que agem de forma a manter o sintoma. Recorre ao questionamento circular, em que cada elemento da família é questionado sobre a forma como vê a relação entre outros dois, e é suscitada informação mais detalhada sobre os padrões de interação habituais. Pode envolver a prescrição de tarefas que permitam uma experiência nova dos padrões de interação habituais. Por exemplo, o terapeuta poderia propor que, até à sessão seguinte, as dificuldades da filha com a alimentação fossem geridas pela mãe nos dias ímpares e pelo pai nos dias pares

Texto elaborado por Ana Catarina Dias - Psicoterapeuta

 

Terapia Familiar Sistêmica

 

A Terapia Familiar Sistêmica surgiu nos anos 50, Palo Alto, na Califórnia, a partir do trabalho desenvolvido por Gregory Bateson e um grupo de colaboradores, com famílias de esquizofrênicos. Esta teoria baseia-se na teoria Geral dos Sistemas, iniciada por Von Bertallanfy em 1947. A partir desta Teoria não se pode mais ignorar a pluralidade de causas que determinam em um dado momento uma situação, toda conduta é complexa, seja qual for o aspecto que se estiver focando, é uma parte de um todo mais amplo...


"O universo deixa de ser visto como uma máquina composta de uma infinidade de objetos, para ser visto e descrito como um todo dinâmico, indivisível, cujas partes estão essencialmente inter-relacionadas e só podem ser entendidas como modelos de um processo cósmico".

(Assis apud Episteme, 1995, p.120)



A Teoria da Terapia familiar está fundamentada no fato de que o homem não é um ser isolado, mas um membro ativo e reativo de grupos sociais. O indivíduo é um sistema, que por sua vez é um subsistema de um sistema maior que é a família, que por sua vez é um subsistema de um sistema maior que é a sociedade.


"A concepção sistêmica da vida baseia-se na consciência do estado inter-relacionado e interdependência essencial de todos os fenômenos-físicos, biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Isso significa formular gradualmente uma rede de conceitos e modelos interligados e, ao mesmo tempo, desenvolver organizações sociais correspondentes. Nenhuma teoria ou modelo será mais fundamental do que o outro, e todos eles terão que ser compatíveis".

 (Capra apud Assis, 1995, p. 123)


O indivíduo influencia o seu contexto, e é por ele influenciado, este indivíduo que faz parte de uma família, membro de um sistema social, ao qual deve se adaptar. Suas ações são governadas pelas ações do sistema, e estas características incluem os efeitos de suas próprias ações passadas.


"Em cada membro do sistema existe a tendência integrativa ou auto-transcendente participativa que integra o elemento como parte de um todo maior, ou seja, expressa a parceria, e existe a tendência auto-afirmativa, a qual garante a individualidade do elemento. A interação entre elementos dentro e fora do sistema é dinâmica, interdependente, mexendo-se no todo reflete-se nas partes, mexendo-se na parte reflete no todo".

(Assis,1997,p.24)

O objetivo básico da Terapia Relacional Sistêmica, é trabalhar mudanças para uma melhor qualidade de vida, modificando comportamentos e processos psíquicos internos de uma estrutura familiar. É uma terapia voltada para o sistema, no qual o indivíduo está inserido. Neste sentido, terapeuta e família se associam para formar um sistema terapêutico. Sendo uma terapia de ação, trabalha-se a mudança no funcionamento da dinâmica do sistema familiar, de maneira a intensificar o crescimento psicossocial de cada membro. A família modificada oferece a seus membros novas circunstâncias e novas perspectivas de si mesmos.


"o objetivo da terapia é abrir novas possibilidades oportunizando uma mudanças para melhor, é impossível tratar o sistema sem que se produza uma mudança básica na situação, nas relações e inter-relações do cliente".

 (Nascimento apud Assis )


O processo terapêutico começa pela avaliação do sistema e redefinição deste, mudando a visão do sistema pelo sintoma, fazendo de forma que fique circular, responsabilizando todo o sistema, construindo a partir disso, novas possibilidades, provocando mudanças. Na verdade, quando alguma pessoa da família apresenta algum problema, este não é responsabilidade apenas desta pessoa. O que parece ser problema de uma única pessoa, vem para avisar que toda a família está com dificuldade.

Quando um homem e uma mulher se casam, serão os representantes das suas famílias, duas culturas diferentes, a partir deste momento, quando surge um filho, surgirá também uma nova família, pai, mãe e filho, onde pai e mãe são o eixo familiar, constituindo um equilíbrio, para o desempenho eficaz e funcional da família. Isto é necessário para que a família tenha um ritmo, desde que sejam mutáveis à novos caminhos. Ao invés do equilíbrio, as famílias podem apresentar tensões, rigidez, que impedem a mobilidade do sistema familiar. Neste momento, o terapeuta têm a função de promover a volta à movimentação, ao processo dinâmico da família.

Michele Valeska Méndez
1999


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