René Descartes

 

 

        Biografia de René Descartes - René Descartes nasceu na França, em 31 de março de 1596, e herdou do pai recursos suficientes para manter uma vida confortável, com busca do conhecimento intelectual e viagens. De 1604 a 1612, freqüentou uma escola jesuíta, onde estudou matemática e ciências humanas. Demonstrava também grande talento para a filosofia, física e fisiologia. Devido à fragilidade da sua saúde, René Descartes era dispensado das missas matutinas e era-lhe permitido dormir até a hora do almoço, hábito que manteve por toda a vida. Foi durante essas tranqüilas manhãs que desenvolveu suas idéias mais criativas.


        Ao completar a educação formal, decidiu experimentar os prazeres da vida parisiense. Com o tempo, acabou entediado e decidiu levar uma vida mais calma, dedicando-se ao estudo da matemática. Aos 21 anos, serviu como voluntário nos exércitos da Holanda, da Bavária e da Hungria e ficou conhecido como um espadachim ousado e habilidoso. Adorava dançar e jogar e provou ser um talentoso jogador devido a sua habilidade matemática. Seu único romance mais duradouro foi o relacionamento de três anos com a Holandesa Helene Jans, que deu a luz a sua filha Francine. René Descartes adorava a criança e ficou arrasado quando ela faleceu em seus braços, aos 5 anos. Um biógrafo relatou que René Descartes ficou inconsolável e vivenciou “a mais profunda dor da sua vida”. Permaneceu solteiro pelo resto da vida.


        René Descartes tinha profundo interesse em aplicar o conhecimento científico às questões práticas. Pesquisava meios para evitar o embranquecimento dos cabelos e tentou aperfeiçoar as manobras de uma cadeira de rodas para deficientes físicos.


        Durante o período em que serviu o exército, René Descartes teve vários sonhos que mudaram sua vida. Conforme seu relato, passou um dia 10 de novembro em um quarto sozinho com aquecedor, mergulhado em pensamentos sobre a matemática e ciência. Acabou adormecendo e, no sonho, que mais tarde ele mesmo interpretou, foi repreendido pela sua ociosidade. O ”espírito da verdade” invadiu sua mente e convenceu-o a dedicar o trabalho da sua vida á proposta de aplicação dos princípios matemáticos a todas as ciências, produzindo, assim, o conhecimento inquestionável. Resolveu duvidar de tudo, principalmente dos dogmas e das doutrinas do passado e aceitar como verdade apenas o que tivesse absoluta certeza.


        De volta a Paris, mais uma vez achou a vida dispersiva demais; resolveu vender as propriedades herdadas do pai e mudou-se para uma casa de campo na Holanda. Sua necessidade de isolamento era tanto que, em 20 anos, morou em 13 cidades e em 24 casas diferentes, mantendo em segredo o endereço, revelando apenas para os amigos mais íntimos, com quem mantinha correspondência freqüente. Parece que sua única exigência era ficar próximo de uma igreja católica romana e de uma universidade. De acordo com um biografo, o lema de René Descartes era: “Vive bem aquele que vive bem escondido”.


        René Descartes escreveu muitos trabalhos relacionados com a matemática e a filosofia e sua crescente fama chamou a atenção da jovem princesa Cristina, da Suécia, na época com 20 anos, que lhe pediu para ministrar-lhe aulas de filosofia. Embora relutasse muito em abrir mão de liberdade e da privacidade, e temesse acabar falecendo na Suécia, sempre teve grande respeito pelas prerrogativas reais. Um navio de guerra foi enviado para buscá-lo no outono de 1649. a princesa insistia em ter aulas às cinco da manhã, em uma biblioteca muito mal aquecida, durante um inverno extremamente rigoroso. René Descartes escreveu a um amigo dizendo: “Não me sinto feliz aqui e a única coisa que desejo é paz e tranqüilidade”. O jovem René Descartes suportou as madrugadas e o frio intenso por quase quatro meses até contrair pneumonia. Morreu em 11 de fevereiro de 1650 em Estocolmo, Suécia, onde estava trabalhando como professor a convite Rainha. Como um católico num país protestante, ele foi enterrado num cemitério de crianças não baptizadas, em Adolf Fredrikskyrkan.


        Um interessante relato pós-morte de um homem que, dedicou boa parte do tempo a estudar o problema da relação entre a mente e o corpo, diz respeito ao ocorrido com o próprio corpo. Após 16 anos da morte de René Descartes, seus amigos decidiram que seus despojos deveriam voltar a França. Enviaram a Suécia um caixão que, no entanto, era pequeno demais para conter os restos mortais. Assim, as autoridades suecas decidiram cortar a cabeça e enterrá-la até que outras providências fossem tomadas.


        Enquanto os restos mortais de René Descartes eram preparados para a viagem de retorno a casa, o embaixador francês na Suécia resolveu guardar um souvenir e cortou-lhe o dedo indicador direito. O corpo, agora sem a cabeça e sem um dedo, foi sepultado em Paris na Igreja de Sant Genevieve-du-Mont em meio a muita pompa e cerimônia. Foi novamente desenterrado durante a Revolução francesa, para ser enterrado entre os pensadores franceses ilustres no Panteón. Seu túmulo está hoje na igreja de St. Germain-des-Près.


        Obs. Um oficial do exército sueco desenterrou o crânio de René Descartes e guardou-o de lembrança. Durante 150 anos, ele passou de um colecionador sueco para outro até ser finalmente enterrado no Panteón.


        Os cadernos e os manuscritos de René Descartes foram enviados para Paris depois da sua morte. Porém o navio afundou pouco antes de atracar e os papéis estiveram submersos por três dias. O trabalho de restauração levou 17 anos para tornar possível a publicação desses documentos.

 

O primeiro pensador moderno

Descartes é considerado o primeiro filósofo moderno. A sua contribuição à epistemologia é essencial, assim como às ciências naturais por ter estabelecido um método que ajudou no seu desenvolvimento. Descartes criou, em suas obras Discurso sobre o método e Meditações - a primeira escrita em francês, a segunda escrita em latim, língua tradicionalmente utilizada nos textos eruditos de sua época - as bases da ciência contemporânea.

O método cartesiano consiste no ceticismo metodológico - que nada tem a ver com a atitude cética: duvida-se de cada ideia que não seja clara e distinta. Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos, que acreditavam que as coisas existem simplesmente porque "precisam" existir, ou porque assim deve ser etc., Descartes instituiu a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que puder ser provado, sendo o ato de duvidar indubitável. Baseado nisso, Descartes busca provar a existência do próprio eu (que duvida: portanto, é sujeito de algo. Ego cogito ergo sum, "eu que penso, logo existo") e de Deus.

Também consiste o método de quatro regras básicas:

  • VERIFICAR se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada;
  • ANALISAR, ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades mais simples e estudar essas coisas mais simples;
  • SINTETIZAR, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro;
  • ENUMERAR todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.

Em relação à Ciência, Descartes desenvolveu uma filosofia que influenciou muitos, até ser superada pela metodologia de Newton. Ele sustentava, por exemplo, que o universo era pleno e não poderia haver vácuo. Acreditava que a matéria não possuía qualidades secundárias inerentes, mas apenas qualidades primarias de extensão e movimento.

Ele dividia a realidade em res cogitans (consciência, mente) e res extensa (matéria). Acreditava também que Deus criou o universo como um perfeito mecanismo de moção vertical e que funcionava deterministicamente sem intervenção desde então.

Matemáticos consideram Descartes muito importante por sua descoberta da geometria analítica. Até Descartes, a geometria e a álgebra apareciam como ramos completamente separados da Matemática. Descartes mostrou como traduzir problemas de geometria para a álgebra, abordando esses problemas através de um sistema de coordenadas.

A teoria de Descartes forneceu a base para o cálculo de Newton e Leibniz, e então, para muito da matemática moderna. Isso parece ainda mais incrível tendo em mente que esse trabalho foi intencionado apenas como um exemplo no seu "Discurso Sobre o Método".


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